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Cozinha de solteira

Cozinha de solteira

No passado fim de semana, finalmente, estreou o MasterChef Portugal.


 


 


O MasterChef, para quem aprecia programas relacionados com cozinha (mesmo que não saiba cozer um ovo) é um sonho televisivo.


 


Para mim, o Master Chef (que conheço na versão australiana) reunia alguns ingredientes chave:


 


- focalização na cozinha e nos cozinhados (claramente os concorrentes são um factor secundário);


 


- um júri profissional, o que inclui a ausência de tiques e achaques, evidenciando com uma forte componente pedagógica;


 


- uma mostra de talentos, com a sorte reduzida ao mínimo.


 


 


Já o Master Chef Portugal peca precisamente pela ausência desses ingredientes:


 


focalização nos concorrentes


 


a focalização nos concorrentes é feita da pior forma possível; ficamos com a sensação que estamos a ver um concurso de personalidades em que, como é recorrente, seleccionam-se uns "postais" para ilustrar a coisa


 


basta ver a forma como chegam ao júri e como são apresentados


[por exemplo, no sucedâneo australiano, todos tinham como prova a mesma tarefa ou cozinhado e iam passando para as fases seguintes; é assim que nos são apresentados os concorrentes, num grupo de dezenas de pessoas, secundarizados em relação à tarefa]


 


atitude do júri


 


a atitude do júri demostra precisamente o que teremos:


culto de personalidades em vez de atitude séria na avaliação dos aspectos mais técnicos


júri mais preocupado em subir as audiências com comportamentos controversos que com a evidenciação da cozinha portuguesa


tiques, achaques e outras pimbalhadas


 


Num único episódio, são evidentes as diferenças. Não é que lá fora se faça sempre melhor, mas que a televisão portuguesa teima estragar conceitos de sucesso.


 


E nisto tudo, o que mais irrita (VERDADEIRAMENTE) é o argumento de que o programa foi adaptado à "realidade portuguesa", como se Portugal fosse um país de idiotas, incapazes de reconhecer um programa sério.


 


Valha-nos a RTP2, que ao transmitir o "Ingrediente Secreto" do Henrique Sá Pessoa, faz verdadeiro serviço público. Até podemos gostar mais ou menos de um ingrediente ou receita, mas a competência pedagógica daquele senhor é inigualável.